18-10-2019

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domingo, 16 setembro 2018 22:47

Os "ginastas" da Dance Scene

O motivo da minha crónica deste mês vem na sequência de um post de um DJ que li há alguns dias numa das suas redes sociais em que dizia "isto é o que eu faço quando me pedem para tocar EDM" e fazia um gesto com a mão e o dedo do meio erguido dizendo também no mesmo post "I'm a Techno addict!". Como eu tinha a noção que o dito DJ tinha produzido há relativamente pouco tempo temas originais/remixes de EDM que tinha visto à venda no Beatport e que até tinha uma agenda internacional preenchida, fui um pouco atrás na sua rede social e realmente estavam lá os posts relativos a "great EDM Remix", vídeos no estúdio "what a EDM BOMB!", fotos com alguns dos artistas EDM do momento, etc. E fiquei realmente um pouco confuso...
 
O motivo da minha surpresa não é o facto de o DJ em questão ter mudado de estilo. Acho isso perfeitamente normal e faz parte do nosso percurso, quer como artistas, quer como pessoas. O que me faz muita confusão é como certos artistas podem, num momento querer ser os maiores num determinado estilo musical, porque está na moda e quando este deixa de estar na moda já é uma porcaria, já "passou o seu tempo" ou "isto é o que eu faço quando me pedem para tocar...". Essa parte já não entendo. Se até há pouco tempo querias ser o "novo príncipe do EDM", não podes, passado um ano e meio, dois anos, dizer que "isto é o que eu faço quando me pedem para tocar EDM" com um gesto obsceno. Até porque hoje em dia temos a internet que regista tudo o que publicamos, para sempre. E se vais publicar que és um "techno addict" e que "EDM sucks", ao menos apaga os posts anteriores onde dizes que estás a produzir a próxima "bomba EDM" ou que "respiras EDM". É o mínimo que se pode fazer em nome da coerência.
 
Entendo que seja o estilo musical mais "underground" que está na moda, mas ver alguns artistas (e muitas pessoas) que até à bem pouco tempo diziam mal do techno em favor de outros estilos (não só EDM) que agora são "techno addicts" faz-me alguma confusão. 

É verdade que o techno está na moda há já alguns anos e que parece que assim se vai manter durante algum tempo. Obviamente que não tenho nada contra isso até porque toco alguns temas techno nos meus sets, apesar de não ser um DJ cuja base seja esse estilo. Gosto de alguns dos temas que saem neste momento, embora já não seja tão fã da "nova" moda do techno mais rápido (para cima de 130/132 BPMs) que é bastante popular neste momento e que projectou vários DJs para a ribalta nos últimos tempos. Talvez porque, embora para a malta mais jovem seja uma sonoridade nova, alguns dos temas que estão na moda aos meus ouvidos soam-me ao techno que se tocava nos anos 90, inícios de 2000 com alguns sons novos, mas cuja base é bastante parecida e por isso não me soa a "novidade". Mas o certo é que há milhares de pessoas que seguem esse estilo e que enchem pavilhões, clubs, eventos e que para eles é uma sonoridade totalmente nova, coisa que entendo perfeitamente e que respeito totalmente. 

Mas será mesmo necessário que de repente quase toda a gente "viva para o techno", "respire techno" e seja "techno fanatic"? Entendo que seja o estilo musical mais "underground" que está na moda, mas ver alguns artistas (e muitas pessoas) que até à bem pouco tempo diziam mal do techno em favor de outros estilos (não só EDM) que agora são "techno addicts" faz-me alguma confusão. 

Tal como disse antes, obviamente que não tenho nada contra os artistas que mudam de estilo musical, isso faz parte do percurso de vida, da evolução pessoal de cada um, e é uma situação perfeitamente normal. O que me faz confusão é o aproveitamento de alguns em "mudar" para o estilo que está na moda dizendo mal do estilo que lhes deu muito dinheiro a ganhar. Quer publicamente quer em privado. Os Ingleses têm uma expressão para isso, chamam-lhe "jump on the bandwagon".

PS: Recentemente o DJ e produtor de EDM Hardwell comunicou que ia fazer uma pausa nos seus gigs por tempo indefinido para se dedicar a ser "Robbert e deixar de ser Hardwell 24 horas por dia" devido à pressão que isso significava na sua vida pessoal e ao efeito que estava a ter sobre a sua criatividade como artista. O que me levou a ler mais uma vez a crónica anterior que escrevi para a 100% DJ sobre o falecimento de Avicii. A vida de um DJ de topo com uma agenda internacional como Avicii ou Hardwell tinham, não é nada fácil. Felizmente Hardwell percebeu onde estava o seu limite e conseguiu parar a tempo...
 
Carlos Manaça
DJ e Produtor
 
(Carlos Manaça escreve de acordo com a antiga ortografia)
Publicado em Carlos Manaça
segunda, 04 novembro 2013 14:40

DJs VS Produtores

 
É obrigatório ser DJ e produtor hoje em dia? Um DJ é um produtor melhor? Um produtor é um bom DJ? Saberes fazer música faz com que a tua carreira evolua mais rápido? Aparentemente, hoje em dia quem faz um tão aclamado "hit" passa do 0 para o #40 da DJ Mag - como foi o caso do Martin Garrix, era "desconhecido", e hoje em dia é dos DJs/produtores que mais toca e corre o mundo.
 
Nos clubes e nos festivais o que se ouve são as músicas feitas pelos produtores de música, sempre foi assim e sempre será, são eles que inspiram as pessoas a ouvir e a gostar de música, é por causa deles que as pessoas acabam por sair à noite, para ouvir e se divertir ao som da música deles... e a maior parte dos DJs, são DJs porque se inspiraram em algum DJ/produtor.
 
Mas o reverso da medalha também existe. Se não houvessem DJs, os produtores não tinham forma de sustento, as suas músicas não eram vendidas e não eram tocadas nas pistas de todos os clubes e festivais que existem por esse mundo fora... o DJ é o principal porta-voz das músicas nos tempos que correm - existem cada vez mais clubes, cada vez mais festivais e todas as músicas que saem para o mercado hoje em dia, já vêm acompanhadas com o "remix pack" e na sua grande maioria, já agradam a toda a gente - desde o tech ao trap.
 
Nos anos 80 e 90, não era fácil ser-se produtor de música - tudo era extremamente caro de se comprar e não havia internet com as velocidades estonteantes que há agora, mas acima de tudo, era tudo analógico, não havia muito software. Hoje em dia, com a internet e a pirataria a fervilhar - e como ser DJ/produtor está na moda - qualquer pessoa pode ser um "DJ/produtor", ainda que não saia de casa e tenha apenas um laptop e um DAW qualquer à escolha - pirateado, e meia dúzia de VSTs. 

Um simples DJ acaba por ser como uma banda de covers, nunca toca as suas músicas mas sim os sucessos das outras bandas.

 
Ver um DJ passar a produtor de música é capaz de o transformar em alguém melhor - o facto de aprender a ouvir "não" (das editoras e de outros DJs/produtores), a coragem que é preciso ter para mostrar o seu trabalho - ainda que alguns não têm bem noção do que fazem e só porque os amigos dizem que está "bom" já se acham a "última bolacha do pacote", por outro lado também têm a força de criar algo do zero, do nada, algo inexistente, investir tempo, aprender, evoluir, crescer como artista, como profissional e como pessoa. Um simples DJ acaba por ser como uma banda de covers, nunca toca as suas músicas mas sim os sucessos das outras bandas, podem ser super talentosos e com uma técnica e leitura de pista inacreditável, mas no final, são apenas um "DJ". Claro que um DJ é sempre alguém que cria de uma certa forma e expressa a sua criatividade, mas poucos são os que tentam evoluir e fazer algo inovador e diferente...
 
Um DJ/produtor, por outro lado, é visto como alguém que escreve música, criar e toca os seus próprios temas, faz edits, bootlegs, mashups, procura sempre dar o seu cunho pessoal à música que toca e apresenta aos seus fãs e acrescenta valor à indústria musical, ao mercado que o rodeia e à sua "fan base". 
 
Ao contrário do mundo de um DJ, que na sua maior parte, vive "sozinho" quando está a actuar, porque a cabine é sua e ele é que decide o que vai tocar, um produtor vive em colaborações - podem ser músicos, cantores ou até mesmo outros produtores - isto impulsiona a comunicação, a exploração das fraquezas e forças, a interação, a criatividade e a inspiração - basicamente, aprende-se imenso quando se faz colaborações, tens que ser cordial, saber ouvir e respeitar as opiniões.
 
Quando fazes música estás a ser obrigado a tomar decisões - se vais fazer uma música de house, progressive, tech, trap, dubstep, whatever... que VST's vais usar, que som vais escolher, vais perder tardes a mexer num knob de um synth que altera uma frequência que muda a música toda e és obrigado a seguir em frente, a decidir. Vais procurar uma editora ou pensar se vais abrir a tua própria ou ainda se a vais disponibilizar grátis. Vais enviar a música a todos os teus amigos DJs, vais ouvir "nãos" e vais ouvir "sims". É um processo que não acaba e as decisões são constantes e a maior parte do tempo, tu não tens tempo para parar e pensar - tens que tomar decisões na hora. É um processo criativo, intenso, emocional e divertido... mas no final, super recompensador.
 
 
Daniel Poças
FY2 - The Party Rockers
Publicado em Daniel Poças
terça, 01 abril 2014 16:16

(Sem título)

Escrever nunca é fácil.
Sobretudo quando se trata de uma primeira vez: os temas escorregam, misturam-se e nem sempre à velocidade certa.
Andei com dúvidas. Queria falar sobre o Djiing no feminino. Não, quero falar das novas sonoridades. Não, quero falar da noite no geral. E, afinal, quero só contar uma história.
 
Hoje quando me sentei na minha Workstation, chuva de primavera a bater na janela, gata com fome, assuntos por resolver, era um dia que começava como os outros. Vi os mails, abri o Facebook e entre os posts delirantes de um 1 de Abril cinzento a noticia da morte de Frankie Knuckles. 
 
Pus o Your Love a tocar.
Homenagem pequena. Era eu também assim, pequena, quando aprendi a gostar de House Music. A minha entrada na rádio tratou de me afinar o ouvido, de me mostrar sonoridades que estavam longe dos meus hábitos e que tinham essa capacidade. A de me levar para longe.
 
Quando, anos depois, pensei que poderia ser uma musical contadora de histórias: ele estava lá. Referencia, reverência. Inspiração. Intocável.
Tal e qual está agora. Ah, a p*ta da insustentável leveza da vida. 
Lugar-comum, tanta verdade nunca antes dita: hoje ficamos mais pobres. Mas depois não. Porque se é o imaterial que nos enriquece, então temos hoje mais de estrela do que pó. Numa House Music pura, bonita, cheia de bom feeling. Pode ser que já não se ouça. Tanto melhor porque é coisa que se sente.
 
Como sempre, para sempre: obrigada pela inspiração. São breves linhas, as tais difíceis de escrever. Mas são a única coisa breve da tua partida, porque o que nos deixas é muito maior do que algum dia poderias imaginar. Há legados que não morrem. Mesmo assim, esta poderia ser uma mentira de 1 de Abril.
See you on the dancefloor, godfather.

 

Publicado em Mariana Couto
Confesso que tenho saudades de ouvir um "prego". Tenho saudades de ouvir o ruído de uma agulha num vinil sujo, da agulha a saltar e um DJ a "desenrascar" uma passagem, de uma mistura menos acertada e um beat mais ao lado. 
 
A era do educador musical acabou. A saída à noite para ouvir aquilo que não oiço em casa ou no carro terminou. O DJ deixou de ser aquela pessoa admirável, dotado de uma técnica de mistura invejável, de uma noção e cultura musical que debitava sonoridades que nunca tinha ouvido. É certo que ainda existem alguns e há clubes ou eventos onde podemos ver estes indivíduos em "vias de extinção" mas são cada vez mais raros... São raros porque não conseguem sobreviver com a mudança e a banalização que se tornou a profissão chamada DJ. 
 
Hoje em dia vemos o dono da casa DJ, o actor DJ, o RP que também é DJ, o indivíduo que apareceu num reality-show como DJ e até menores de idade são DJs. Tudo é DJ.
 
O DJ já não é o "mestre dos pratos ou dos decks". Hoje em dia o DJ é aquele que não conseguiu vingar na profissão que escolheu ou aquele que não sabe fazer mais nada. 
 

Antigamente o DJ gastava dinheiro no que realmente interessava... a Música.

 
Ninguém "compra" o verdadeiro DJ. Esses estão todos no desemprego ou a passar dificuldades. Já ninguém quer saber se sabes acertar uma batida (à unha), se a tua escolha musical é diferente e com qualidade. Ninguém quer saber se consegues tocar seis horas seguidas, se consegues mandar os clientes de um clube ao bar para consumir e voltar a agarrar uma pista de dança ou se consegues ter uma sequência musical para manter os clientes várias horas no clube. Esse DJ desapareceu (ou está no desemprego). 
 
Hoje em dia o DJ teve de inventar. Tem de falar ao micro (não sendo MC), solicitar todo o tipo de "adereços" (CO2, confetis, etc.), ter boa imagem, bons vídeos para passar enquanto actua, gastar milhares de euros nas redes sociais e na sua promoção e ter uma equipa a trabalhar com ele (que também tem de ser paga). Antigamente o DJ gastava dinheiro no que realmente interessava... a Música.
 
Não sou daqueles que são contra a evolução e as novas tecnologias, nem contra as formas que foram encontradas para divulgação e promoção da música electrónica. Sou apenas contra o uso da palavra DJ para definir pessoas que não são mais que animadores e que nem de "toca discos" podem ser chamadas. 
 

O DJ (na sua verdadeira essência da palavra) está em "vias de extinção" e eu tenho saudades de os ver e ouvir.

Ninguém quer contratar um DJ nos dias que correm. Não vamos confundir as coisas. O DJ como o conhecemos está a morrer. Hoje em dia o que é contratado é um produtor que vai usar um equipamento essencialmente de software para difundir o que produz e alguma música que ouvimos na rádio. Poucos são aqueles que se podem dar ao luxo de efectuar uma actuação sem colocar uma única música conhecida ou pelo menos um remix ou edit de algo que todos estão fartos de ouvir.
 
O DJ (na sua verdadeira essência da palavra) está em "vias de extinção" e eu tenho saudades de os ver e ouvir. Fico feliz por ver a evolução que a música electrónica teve e como se tornou global, mas por favor, não usem mais a palavra DJ porque de "Discos" não tem nada e de arte para os usar nada tem.  

 

Ricardo Silva
Publicado em Ricardo Silva
quarta, 01 fevereiro 2017 21:25

It's all about music

Vivemos numa era digital. Inicialmente, quando surgiram as primeiras tecnologias digitais todos e em todas as áreas profissionais, mas em particular na música mostraram alguma resistência à mudança. No entanto, rapidamente os benefícios e vantagens do formato digital conquistaram os profissionais em todos os quadrantes.
 
Eu, por acaso, confesso ter sido um dos resistentes a esta mudança e deixei o vinyl muito depois de ter aparecido a possibilidade de trabalhar a música de forma digital. Mas isto tem uma justificação forte. Antigamente, nos primórdios da cena digital, todo o material técnico para DJ não era de grande qualidade. Felizmente as coisas mudaram, hoje em dia a qualidade por exemplo dos CDJ seja da gama mais básica aos topo de gama, apresentam qualidades técnicas e funcionalidades que os seus primórdios nem sonhavam.
 
Na minha área musical, atravessando esta nova tendência, alguns temas que me interessavam começaram a deixar de ser prensados em vinyl e por isso quase de uma forma natural fui incorporando no meu setup de DJ a tal vertente digital (CDJ) para poder ir acompanhando o que se passava e tocar até alguns temas exclusivos, remix’s ou mashup´s que em parte não eram editados no formato vinyl. Facto esse, prende-se com a redução de custos, não só de produção como de edição e distribuição. O formato digital revela-se assim, um meio extremamente económico e com potencial lucrativo brutal.
Com isto, viria mais tarde a comprar um Mac (computador portátil) para poder iniciar-me nesta nova era. À primeira vista só o facto de me libertar de kilos de peso das malas de discos para me movimentar de gig para gig já era uma grande vantagem.
 
Desenvolveu-se no entanto, ainda algum preconceito especialmente entre a comunidade DJ relativamente aos DJs que optam por abraçar esta evolução tecnológica recorrendo assim, por exemplo, ao tão afamado sync ou a controladores digitais que recorrem a comunicação MIDI. Parece-me um assunto que apesar de muito polémico, se afasta do conceito essencial que é o trabalho de DJ na sua essência.
 

O facto de um DJ assumir a utilização de sync, não faz dele menos DJ do que um DJ que continue a trabalhar com vinyl.

 
A essência de ser DJ não é, nem nunca foi o formato de som que se opta para tocar ou trabalhar, mas sim a forma como o faz, ou seja, a escolha dos discos e a técnica com que os passa é sempre o primordial, no entanto, historicamente o DJ é conhecido pela utilização de discos em vinyl, através do qual também a técnica transparecia, aliás, nos dias de hoje ainda se registam vendas muito acentuadas que são na sua maioria graças aos DJs que persiste com a utilização do vinyl.
 
O vinyl hoje é visto como uma jóia e os temas lançados neste formato são aclamados muitas vezes como raridades ou edições limitadas que são muito apetecíveis especialmente entre os DJs mais underground o que acontece mais em vertentes como o techno, tech-house e house.
 
Este preconceito de que falamos prende-se muito, na minha opinião, com a resistência a mudança. O facto de um DJ assumir a utilização de sync, não faz dele menos DJ do que um DJ que continue a trabalhar com vinyl. A época em que o DJ precisava e gostava do vinyl também para demonstrar a sua superioridade técnica já era… Na verdade, um "SYNC DJ" pode tornar o seu trabalho bem mais complexo e personalizado relativamente a qualquer outro DJ. Existem vários exemplos de sucesso internacional que utilizam um setup complexo recorrendo a sync para poderem introduzir desde samples,  loops ou acapellas.
 
O paradigma de DJ hoje é muito diferente do que era ha 10 anos... ou nem tanto. Porque na realidade as pessoas não querem muito saber se o DJ X ou Y toca em vinyl ou cd ou pen... a sério? Ainda há quem acredite que isso é a essência do que quer que seja? 
Pode ser um plus, ou algo que abone a favor do DJ para quem aprecie o som do vinyl por exemplo, mas mesmo assim nem nisso vejo uma vantagem... tudo depende do que é melhor para cada DJ... cada um escolhe o seu setup de acordo com o que acredita ser melhor para o seu trabalho. E aqui encontramos outra grande vantagem, na minha opinião da era digital que é a oferta de possibilidades de escolha e da entrada mais facilitada de novos talentos no mercado.
 

As pessoas não querem muito saber se o DJ X ou Y toca em vinyl ou cd ou pen.

Temos que olhar para tudo isto como uma espécie de benção. Temos DJs como o Richie Hawtin ou o Dubfire no techno ou ainda Deadmau5 do house progressivo que hoje em dia quase sempre só tocam recorrendo a controladores MIDI e eventualmente CDJ ou ainda exemplos como Ricardo Villalobos, Sven Vath, entre outros que preferem utilizar ainda o vinyl. 
 
Achei importante abordar este tema no sentido de tentar fazer as pessoas perceberem que o trabalho de DJ é muito mais do que o formato de música que utiliza para trabalhar. Embora trabalhe hoje em dia recorrendo unicamente ao formato digital mais precisamente aos CDJ, acho injusto muitas críticas que ouço, tanto de profissionais como de amadores ou público em geral relativamente ao facto de se usar CDs, pens ou ainda recorrendo a softwares como o Traktor ou o Serato para tocar fazendo assim parecer que só o vinyl é valido para profissionais e tudo o resto não interessa.
 
Hoje em dia, com a qualidade dos estúdios, das tecnologias, etc., a música tem uma qualidade incrível e portanto o formato analógico ou digital não diz respeito, nem afeta negativamente a música, ou pelo menos esse não é o suposto... a tecnologia existe para facilitar o nosso trabalho e para nos ajudar a desempenhar os nossos trabalhos.... mas seja como for, e aliás como dizia a musica... "It's All About Music”.
 
Publicado em João Garcia
quarta, 03 julho 2013 21:18

Summer Sessions

 
Uma crónica de Verão tem sempre muito que se lhe diga. E tem, principalmente, porque como a "Silly Season" costuma ser a patetice pegada em quase todas as áreas, escrever coisas sérias parece-me também pretensioso...
 
Sublinho o quase, porque se houver, no entanto, a viabilidade de algum motivo sério de conversa... talvez essa seja a da área da Música. Sim, é a época áurea do rodopio de internacionais, cá a poisar na terrinha. E cada canto vai ter um. Ou mais.
 
Festivais "à séria", festas "da terrinha" e populares, discotecas da moda e "disco-nights" da aldeia... tudo vai ter os seus Steve Angelos, David Guettas e Axwells da vida , os seus Allessos e Hardweels, Sashas milionários e com quase pornográficos cachets.
 
Eles vão a todas. Desde a grandes certames de qualidade, com outros grandes nomes comerciais lado a lado no cartaz, como se "sujeitam" a locais estranhos em que o dono é um qualquer novo rico  do local que decide "fazer mexer" a terriola e desembolsa 50 mil euros para um destes monstros da house music tocar a seguir ao residente Huguinho, Zézinho ou Luisinho.
 
Por isso é que o meu amor pela música eletrónica se mantém fiel a alguns dos que considero "estrelas" à séria, não porque exigem 100 mil euros por set, mas porque mantém a coerência e o cuidado quanto aos eventos em que se envolvem.
 
Ritchie Hawtin, Plasticman, Marco Carola, Dubfire, Steve Lawler, Loco Dice... são alguns aos quais, sim, tiro o chapéu. Tocam no que considero os melhores Clubes. E há uma real diferença entre Discoteca e Club. As primeiras são para massas, os segundos para amantes de música. E para estes estes senhores não há cá "pão para malucos"... tocam e tocam bem, não há cá buzinadas e loops de 2 minutos. Eles continuam a encantar e são elitistas nos sítios que escolhem para trabalhar e por isso... os sítios também fazem "nome" ligado a eles.
 
A bola de neve é esta: um DJ e um estilo, fazem a onda do espaço e o espaço onde toca, vai criando pouco a pouco a verdadeira credibilidade do DJ.
 
Os nomes que falei também são grandes e não podem sequer ser considerados "alternativos", mas basta não serem "vendidos" e manterem a sua linha musical para os aplaudir de pé. Não vivem do hit do momento, mas sim da carreira consolidada, não arrastam os miúdos de 18 anos mas o público da minha geração, dos 30, os que cresceram com o puro house e com o tecno apurado. Para mim, a base de tudo o resto.
 
As festas, nesta altura multiplicam-se. Mesmo!! Cada beco tem a sua e parece que o dinheiro cresce, num tempo de crise anunciada, vivida e choramingada  por quase todos - mesmo na noite, onde tantas casas têm fechado portas - para competir com o "vizinho" do lado que trouxe o DJ X ou Y. Por vezes, batalhas ganhas, por vezes perdidas. E a quantos lamentos de produtores, já assisti, quando ao investirem largos milhares "certos de retorno", se tornam menos certos e perdem outras tantas milenas, que inviabilizam os Verões e Invernos seguintes.
 

É Verão, "Silly Season" e a melhor altura de trabalho, com mais mercado para os DJs, com mais público na rua, com mais dinheiro para gastar.

 
Quero chegar ao seguinte: DJ de renome já foi dinheiro certo em caixa, já lá vão os tempos em que se gastava 100 mil para ganhar 300... Mas nessa altura, haviam 4 ou 5 festivais, não 50. Mas nessa altura os DJs conceituados eram 10 no mundo e não 100. Mas os cachets a que chamávamos milionários eram de 10 mil euros e não 100 mil. As apostas hoje em dia já não são tão certeiras, há quem se ria e há quem chore. E depois ainda há os "sets de merda" a que nos submetem por ser o que o povinho que enche as casas quer ouvir…
 
Uff... Volto à carga. É Verão, "silly season" e a melhor altura de trabalho, com mais mercado para os DJs, com mais público na rua, com mais dinheiro para gastar. Mas é também, cada vez mais, nos tempos que correm, altura mais do que obrigatória para fazer triagem. Não ir a "todas" (nem como DJ e muito menos como público) e, a não ser que se vá para "ver as gajas"..., escolher a vibe e a qualidade musical que se procura e aí sim... seguir a "Yelow Brick Road" até... ao bom festival mais próximo!
 
Neo Pop, Refresh e numa onda mais comercial - Azurara... Para mim são os eleitos. Não que seja lei, mas é a minha opinião até porque o Verão é feito de brisas e por aí vão sempre existir os momentos que elegemos como nossos e marcantes, as memórias que farão parte da nossa vida e claro, sempre com a banda sonora perfeita, a que se adequou à hora certa, e com a batida que tinha que ser. 
 
A procura é nossa, a escolha também, a coerência faz parte dessa escolha. E quem ama a Club Scene, sabe do que falo, não sabe?
 
Bom Verão e encontramo-nos por aí? Nas boas e quem sabe, até nas medíocres festas! 
 
Como DJ, RP e Music Blogger... no fundo, terei que "papar" com o bom e com o mau, para poder falar com conhecimento de causa e claro... ganhar o meu. :)
 
Certo?
 
 
Rita Mendes
Publicado em Rita Mendes
Existe um filósofo francês chamado Paul Virilio que defende que, na sociedade actual, é a velocidade o que define os vencedores e os líderes. Nas palavras dele: “a velocidade da luz já não transforma o mundo, a velocidade da luz é hoje o mundo”. Nada mais correcto. A meu ver, a velocidade é hoje a força motriz de qualquer pessoa. Todos estabelecemos prazos - cada vez mais curtos - para alcançar objectivos e encaramos como falhanço se não os alcançarmos. A nossa sociedade hoje funciona assim. É refém da velocidade. Fazer bem é fazer rápido.
 
É certo que este é o mundo em que vivemos. Se olharmos para o que nos rodeia percebemos facilmente que as músicas se tornam facilmente epifenómenos. Basta pensar que há não muitos anos atrás, hits mundiais das pistas de dança subsistiam no tempo e, hoje em dia, é bastante improvável apanhar os hits de 2013 ou 2014 em 2015. Nos próprios radioshows dos top DJ’s da actualidade há uma quase obsessão com a novidade e a exclusividade. É mesmo difícil em grande parte deles encontrar “músicas já editadas”, quase como se as músicas por já terem sido editadas ultrapassassem o prazo.
 
Este, a meu ver é um dos principais problemas da nova geração de produtores e DJ’s que surgiu nos últimos dois / três anos. É obcecada com a velocidade. Quer, a todo o custo, fazer rápido. Mas atenção que fazer rápido não significa fazer bem. Mas o erro não está em querer fazer rápido. O erro está em só querer fazer rápido, ou, de outra forma, só admitir como sucesso fazer rápido.
 
A verdade é que o insucesso gera frustração. E, em grande parte das vezes, o insucesso e a frustração são nada mais que sinónimos de impaciência. Todos olham para fenómenos como Martin Garrix ou Madeon e pensam “também quero ser um prodígio de 16 ou 17 anos, cheio de sucesso”. Mas esquecem-se que estamos a falar em primeiro lugar de artistas com uma estrutura profissional gigantesca e em segundo lugar de artistas que, apesar da juventude, já cá andam há alguns aninhos. 
 

O talento só não é premiado quando os talentosos desistem. Parece um cliché, mas é assim que a vida funciona.

 
Por isso quando se sentirem frustrados, ou a achar que vivem num mundo cruel em que só não têm sucesso porque “o público não tem cultura”, “nenhuma agência aposta em mim”, “não tenho um bom estúdio”, “não tenho dinheiro para investir”, “nasci no país errado”, pensem que grande parte dos top DJ’s da actualidade, tirando poucas excepções, construiu uma carreira ao longo de 5, 10 ou 15 anos antes de chegar ao topo. É como em tudo, nenhum recém-licenciado começa a trabalhar como Director numa multinacional. Se for um prodígio, trabalhar e fizer tudo bem, certamente lá chegará. E sim, em Portugal como em tudo, as coisas obviamente demoram um bocadinho mais.
 
Não estou a dizer para serem passivos ou abrandarem o ritmo. Nada disso. Apenas que precisam de conviver com o tempo, tendo sempre em mente que o talento é sempre premiado. Mais tarde ou mais cedo. Pode tardar, mas é quase uma inevitabilidade. O talento só não é premiado quando os talentosos desistem. Parece um cliché, mas é assim que a vida funciona. É como diz o ditado: “Roma não se fez num dia”.
 
Hugo Rizzo
Publicado em Hugo Rizzo
quarta, 05 junho 2019 21:55

Miss Sheila - 20 Anos de Música

Para a minha primeira crónica de 2019, o tema selecionado é imprescindivelmente o meu 20.º aniversário de carreira e o meu percurso no mundo da música, desde o dia "zero", até aos dias de hoje.

20 anos, parece que foi ontem, no entanto muito tempo se passou desde o dia em que fiz a minha primeira atuação profissional ao vivo. "20", não é o número exacto e correspondente à minha ligação com a musica electrónica, mais concretamente com o "House e Techno". Comecei bem antes de 1999, a experiência das primeiras "raves", o meu cargo na Bimotor DJ com as encomendas internacionais de vinyl para Portugal, os eventos no Rocks, a Kaos Records, a Supersonic... tudo isto e muito mais faz parte da minha introdução ao "mundo" que hoje chamo "meu", e um importante pilar naquilo que hoje sou.

Resumir a minha carreira não é de todo tarefa fácil. 
Sempre tive uma imensa paixão pela música. Nasci em Sasolburg (Africa de Sul), depois vivi em Nova York, até que conheci o maravilhoso país que é Portugal, onde passei a residir.

Iniciei bem cedo a minha experiência com a música no geral, já nos Estados Unidos, com as aulas de piano, flauta e bateria. Sempre senti que eu e a musica éramos mais que meros "conhecidos", havia algo que me fazia sentir bem e em harmonia, sempre que ouvia um tema com que me identificasse. Naturalmente, senti a necessidade de partilhar esses sentimentos. Daí surgiram as primeiras experiências com a arte do "DJing", isto já em Portugal, no bar do qual era proprietária em conjunto com o meu irmão. Malibu Bar, era na Praia De Esmoriz e foi onde tive a oportunidade de dar início e desenvolver a minha paixão pela electrónica. Na altura, Esmoriz era prova-velmente uma das cidades onde residiam mais DJs. A forma como falávamos acerca dos temas mais recentes, do panorama no geral, contribuiu bastante para aquilo que sou hoje e para todo o "background" que ganhei.

Considero que tenho uma carreira solida e sinto-me imensamente grata por isso. Contudo, o processo de gestão de uma carreira para que tudo prevaleça de forma relevante e consistente não é de todo fácil, tema que já abordei de uma forma mais concreta na minha Crónica de Opinião: "A Máquina atrás do artista".

Fazendo uma retrospectiva, passei por varias gerações. Inicialmente onde apenas existia o "vinyl",  aquelas malas pesadas e os "White Labe" exclusivos, posteriormente o início da "Era Digital", onde surgiram os primeiros "CDjs", mais atualmente os DJ Softwares. Todo este processo de evolução no que diz respeito às ferramentas para actuação fez-me ganhar bastante experiência, que se reflete nos dias de hoje, sempre que saio para trabalhar.
 
A música também mudou bastante, felizmente a música boa nunca vai acabar, isto é algo certo, mas é normal que existam mudanças, devido às influências (culturais, sociais, políticas) ou mesmo ao material de estúdio, que em paralelo ao de performance ao vivo, também foi alvo de um grande "upgrade" ao longos dos tempos.

A música também mudou bastante, felizmente a música boa nunca vai acabar, isto é algo certo, mas é normal que existam mudanças, devido às influências (culturais, sociais, políticas) ou mesmo ao material de estúdio, que em paralelo ao de performance ao vivo, também foi alvo de um grande "upgrade" ao longos dos tempos.


Resumidamente, o facto de no início não ser tudo tão simplificado, fez com que eu e os artistas da minha geração tivéssemos que nos esforçar um pouco mais para que o produto final fosse o mais perfeito possível.

A nível do trabalho de estúdio e produção, como já referi inicialmente, também houve um grande desenvolvimento, seja a nível do Hardware, Software ou mesmo a forma como a informação é partilhada.

Editei o meu primeiro disco em 2001, pela conceituada "Tango" em parceira com o Joeski. Desde aí fui desenvolvendo as técnicas de forma intensa e editando originais e remisturas um pouco pelos quatro cantos do mundo, Digital Waves, Kaos, Magna (Portugal), Fresh Form, Datagroove (Espanha), Moderate (Itália), Fatal (Holanda), Na-nowave (Japão), Tango (EUA), Hypno (Reino Unido) e mais recentemente pela conceitua-da e restrita Natura Viva onde apenas figuram os melhores do mundo. 

De salientar também que em 2014 realizei um dos meus sonhos, abrir uma editora. A minha Digital Waves está também de parabéns em 2019 com os seus já 5 anos de existência. Estou a preparar desde Janeiro alguns temas, que vão sair até ao final do ano juntamente com tudo o que está projectado entre mim e a minha agência para esta temática.

Para finalizar, durante todo este percurso tive o prazer de conhecer pessoas fantásticas e conhecer outros países e culturas, como foi mais concretamente o caso de Nova Iorque, Ibiza, Geneva, Luanda, Cidade do Sal, Luxemburgo, Rotterdam, Bruxelas, Funchal, Lyon, Hartford, Sevilha, Vigo, Neuchatêl, Friburgo, Amsterdão, entre muitas ou-tras fantásticas cidades do mundo, como Portugal, obviamente! 

Assim sendo e de forma a celebrar este marco na minha carreira, do qual não podia estar mais grata por cada minuto, decidi retribuir todo o apoio e carinho que recebi ao longo dos anos, com a temática "20 Years of Music", que irá originar dois grandes eventos no final do ano. Um a Norte e outro a Sul. Mais novidades estão planeadas para sair, por isso fiquem atentos, este ano festejamos juntos.
Publicado em Miss Sheila
Os festivais de música atingiram, talvez o seu apogeu nos últimos 4, 5 anos, e agora com uma concorrência global e local, importa conseguir diferenciar o seu produto e saber comunicá-lo. A ordem é de facto conseguir ser pioneiro e ter as melhores sugestões e comodidades para o público-alvo.
 
Quais as tendências para este ano em Portugal?
 
1) Cashless como movimento global a todo o evento
Uma tendência mundial e que começou a dar os primeiros passos nos festivais portugueses em 2015. Ligado ao cartão de crédito, pré-pago ou como forma de determinar dados, os festivais e os seus responsáveis pretendem utilizar esta tecnologia e assim obter o perfil do seu público e assim deter em si maior importância e maior poder negocial com sponsors e parceiros. Piknic Electronik Lisboa, Festival Forte e Lisb/On foram alguns dos eventos que acederam a ter a tecnologia e assim melhorar a experiência do seu público e convidados, procurando evitar filas (acesso ao festival ou compra de bebidas). Nenhum ainda introduziu uma experiência global que possa gerar no portador pagamentos e informações para poder usufruir após o festival e que lhe permita recordar o mesmo, como por exemplo, a marca que lhe endereçou um convite por ter usufruído de uma ativação.
 
2) Modalidades de bilhética
O acesso aos festivais faz-se cada vez mais através de mobile, as pessoas usam mais os telemóveis e acedem a muita informação (não conseguindo muitas vezes selecionar a mesma ou conseguir analisá-la. A nossa leitura é cada vez mais "na diagonal" em virtude do fluxo de informação que recebemos diariamente), tendo um festival maior probabilidade de ser "escolhido" para compra de bilhete, quanto maior a sua visibilidade e permanência nos locais que mais utilizamos. Num estudo da plataforma Eventbrite, é indicado que quanto mais nova a população maior a apetência para adquirir um bilhete por este modo. Hoje já não existe desconfiança numa compra online e obrigar um utilizador a imprimir um bilhete é impensável e até com um efeito dissuasor. Evitar ir a um local físico também é visto como acréscimo de custos e tempo despendido.
Um exemplo bem implementado tem sido o da Vodafone, que nos festivais em que está presente permite que quem compre bilhetes através da sua aplicação tenha um acesso exclusivo a um festival e/ou de forma mais barata - e.g. Rock in Rio, Vodafone Mexefest.
 
3) Media Training
Com o aumento da imprevisibilidade das condições atmosféricas, que afetarão sobretudo os festivais que ocorrem no verão (que são simultaneamente aqueles em que mais se investe e maior visibilidade têm) a que se soma o aumento de situações de violência e insegurança sentida pelo alarme generalizado a situações de terrorismo, será necessário aos grandes eventos (nomeadamente os que têm cobertura ontime via Tv e rádio) uma nova forma de comunicar, mais célere e instantânea perante qualquer incidência (ou previsão da mesma) que tenha obrigado a alterações e/ou cancelamentos de última hora.
Com o fenómeno das redes sociais, qualquer situação negativa é empolada e quanto mais tarde uma reação maior o tempo de permanência de insatisfação nas redes que poderá destruir alguns eventos. Em 2015, existiu o exemplo do SushiFest que por dificuldades de gestão e planeamento no primeiro dia, as críticas deixadas nas redes sociais obrigaram a um trabalho de comunicação redobrado que poderia ter resultado no seu cancelamento.
 
4) Envolvimento dos municípios
A existência de festivais de pequena dimensão tenderá a reduzir-se em sentido contrário ao número de festivais com apoio ou organização municipal (um número crescente, desde 2013). A legislação sobre eventos (nomeadamente os dirigidos para massas e em contexto outdoor) é hoje mais intensa, obrigando a novas taxas aos promotores, que faz com que estes tenham ainda menos verbas disponíveis para poderem executar um festival a nível pessoal ou associativo, ainda para mais perante a maior exigência do público, seja este urbano ou não. Do mesmo modo, os municípios especializaram os seus recursos humanos, procurando através de si mesmos conseguir captar público aos seus eventos, tentando que estes tenham um carácter diferenciador no panorama nacional e que tragam consumo. Bons exemplos são o: FMM Sines, Med Loulé e Festival F.
 
5) Recrutamento
A contratação de colaboradores ou equipas especializadas para os dias de um festival será uma realidade para melhorar e assim fazer face às exigências de novos públicos, nomeadamente os internacionais. Estar mais próximo de faculdades e alunos finalistas das áreas de Turismo, Gestão e Audiovisuais e menos próximo de voluntariado (onde se delegam responsabilidades), fará com que tarefas secundárias mas importantes para a diferenciação de um evento se tornem importantes na fidelização e regresso do público à edição seguinte do evento.
 
Ricardo Bramão
Presidente e Fundador APORFEST, Associação Portuguesa de Festivais de Música.
Publicado em Ricardo Bramão
sexta, 10 janeiro 2014 21:35

Qual é o teu estilo, DJ?

 
Falemos dos "estilos". Passam os tempos e cada vez se torna mais difícil defini-los, garanto-vos. Pelo menos definir o que é que este ou aquele DJ toca.
 
São raros, raríssimos os que se conseguiram manter fieis às suas ondas originais. Armin Van Buuren no trance, Carl Cox, Richie Hawtin, Adam Beyer, Marco Carola no tecno, Steve Aoki, Afrojack, Chuckie no electro mais acessível, e pronto, à excepção dos incontornáveis de que não falei (e ainda são alguns pelo mundo fora, "graça a Deus!")... por aí... o resto é tudo uma adaptação do que se ouve agora, do que se quer agora, do que faz mexer as pistas, do que as rádios e playlists online veiculam.
 
Acredito que uma das coisas que mais incomoda um DJ, hoje em dia, é por isso, a pergunta: "Então e qual é o teu estilo?" Irrita, porque todos nós temos, obviamente as nossas preferências. Podemos gostar de minimal, progressivo, tecno, puro house... mas obviamente, que se queremos trabalhar nos dias que correm, temos mesmo que nos adaptar e tentar, fazer a melhor "viagem" possível durante as duas ou três horas normais de um set, MISTURANDO, sim, misturando... estilos, sonoridades e fazendo até o que à partida os puristas te ensinam a não fazer... colar a "bota e a perdigota"... uma de house comercial, seguida de uma "electrozada" e a seguir um techouse bem metido.
 
É obra dura de fazer.  E aqui, a diferença de quem o sabe ou não fazer, tem a ver com o bom senso, o bom gosto, a coerência... dentro do que à partida seria incoerente.
 
É mais isso, do que  passar uma horas seguidinhas das batidas certinhas da onda com que nos identificamos. Porque aí, à partida, sabemos que não falhamos (tecnicamente é mais fácil, claro, porque não há o perigo de "picos" e porque estamos fechados e encantados com o que nos enche as medidas como artistas). Mas, a verdade é que... não falhamos para nós, mas para o pessoal que está lá na frente, a não ser que vá já completamente formatado a ouvir o "nosso som" (ui, e é tão bom quando isso acontece), eles querem é diversidade e que a tal viagem os surpreenda, encha as medida, que as músicas lhes sejam familiares na sua maioria. E até os tais "picos" que às vezes não seriam aquilo que para nós faria sentido... é o que se quer.  E a nós... ai ai… e a nós, DJs de casa cheia, resta a magia (que esperamos ser certeira) de conseguir fazê-lo sábia e energeticamente.
 
Falo por mim, que nunca fui adepta do comercial puro e duro e cada vez mais a ele tenho que recorrer. Porque assim as casas o exigem  (ou só tocaria em mini clubes e bares com cachets baixinhos e onde o público seria muito menor em número que nas discotecas e festas mais massificadas por este país fora) e porque mesmo os "grandes", os internacionais, que em tempos produziram sons que nos ficaram no coração e na memória cada vez mais se dedicam a criar tendências comerciais e que os outros seguem pelo mundo fora.
 
"E é assim que é"... o Amor à música eletrónica, como tudo na nossa sociedade, tem que ser readaptado. Pelo menos a forma de o transmitir. E aí volto de novo aos estilos. "Qual é o teu estilo, DJ?"... Acho que a resposta da maioria, se não é, deveria ser: "O que eu toco? Ou o que eu gosto?".
 

Qual é o teu estilo, DJ? Acho que a resposta da maioria, se não é, deveria ser: "O que eu toco? Ou o que eu gosto?"

 
Amigos... o estilo confunde-se com o local, com a carreira, com a imagem que têm de nós, com o party people que temos à frente, com a hora a que tocamos, com o tipo de evento. Eu, por exemplo, toco desde em eventos corporativos às 4 da tarde até ao pico da hora dos "chalalás" todos comerciais que é às 3 da manhã e até de vez em quando faço um ou outro after em que me estico com o tecno e electro menos acessível.
 
Além de tudo isto... é impressionante constatar as "modas" que tão rapidamente entram e saem de cena. Por exemplo, o ano passado o público mais novo, quase que inexplicavelmente (porque não fazia parte da sua cultura musical, foi sim uma moda passageira) exigia quase lado a lado com os temas comerciais do Avicii, Alesso e afins... o dubsetp para embalar uma noite bem bebida. Este ano que passou... foi o Afrobeat. Para todos. Brancos. Pretos. Na cidade. No interior. Mesmo que não tenham qualquer afinidade com a cultura africana... gostam de afrobeat e mais espantoso ainda... de Kizomba e Kuduro.
Pergunto-me o que virá este ano e que... fará esquecer o que ficou para trás e que já foi apagado no iPod, para ganhar mais espaço para músicas novas?...
 
Falemos de "estilos", comecei assim a minha crónica... Ou não. Falemos então da nova filosofia de DJ. Da forma de adaptação à pista. Da vontade que temos que fazer crescer em nós de continuar a pôr o público a dançar. Da arte que considero perfeito de oferecer "uma para nós" e "duas para o público" e da magia que já raramente acontece, mas que não é, obviamente impossível quando a comunhão entre eles e nós - os DJs - acontece e esta máxima passa a ser: "uma para nós", "uma para eles" ou até mesmo "todas para todos".
 
São noites dessas que ficam na nossa história pessoal e independentemente de ondas, estilos ou géneros são noites dessas que mantêm aceso o nosso amor por esta arte.
 
E... que este ano tenha umas quantas dessas. Desejo-o para mim e para vocês. E assim, nos cruzaremos, aí pelas estradas desse país, de clube em clube, com aquele sorriso de satisfação e realização de que tão bem conhecemos o puro feeling, e é cada vez mais raro.
 
Rita Mendes
Publicado em Rita Mendes
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100% DJ. Projeto editorial independente cujos valores se guiam pelo profissionalismo, isenção e criatividade, tendo como base de trabalho toda a envolvente da noite nacional e internacional, 365 dias online.

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